Amamentação de trigêmeos: dois mamam e um chupa do dedo!

Papai do céu fez a mulher com dois seios, mas me pregou uma peça ao mandar três bebês de uma vez. “Vamos ver como essa menina se sai…”, deve ter pensado Ele. Será que Ele achou que dois iriam mamar, enquanto o terceiro ficaria chupando o dedo? “O Senhor está falando com uma mulher que adora planilhas”, respondi telepaticamente e parti para a estratégia.

Devido à minha impossibilidade técnica de alimentar todos os filhotes de uma vez, a primeira atitude foi aceitar que seria impossível o aleitamento exclusivo. Nada de paranóias ou culpa. Depois, decidi que dois seriam amamentados e o terceiro (aquele que chuparia o dedo) ficaria com a mamadeira.

Como fazíamos na prática? Cada bebê só tinha direito de mamar no peito no máximo três vezes ao dia. O resto era mamadeira. Eu anotava tudo numa planilha. Depois, para ficar mais prático, passei a escrever a escala do peito à caneta na minha perna. Eu levantava a saia e consultava para saber de quem era a vez.

De início, tentei amamentar simultaneamente dois, enquanto o terceiro ficava com a mamadeira. Mas, à medida que foram crescendo, era cada vez mais difícil achar uma posição para acomodar todo mundo. Um acabava chutando o outro ou, na posição invertida, as cabeças se batiam. Começaram, ali, a se estapear como irmãos brigões. Pensei que esse arranca-rabo só aconteceria mais tarde. Para piorar, meu nariz sempre coçava. Coisa que acontece quando se está com as duas mãos ocupadas. Ficávamos nessa guerra: eles tentando se acomodar e eu fazendo altas caretas para coçar as narinas.

O barulho de um incomodava o outro. Meus braços ficavam com a circulação presa. E o mais incrível: quando um começava a mamar o outro parava. Parece que sabiam que estavam dividindo a mãe e não queriam isso. Então resolvi proporcionar para cada um deles momentos de exclusividade, mesmo que fossem poucos. Cada um mamava sozinho. Era o nosso momentinho. Era quando eu tinha tempo de olhar a carinha, catucar a orelhinha, fazer um cafuné.

Muito bom tudo isso, mas durou pouco. Foram apenas dois meses. O estresse, as noites sem dormir, o impacto emocional da mudança e a grande quantidade de crianças foram fatores que pesaram demais. Eu estava esgotada. Os bebês perderam o interesse e eu – não tenho vergonha de dizer isso – não tive forças para insistir. Fiz o meu melhor. Depois, passaram para a mamadeira, que eles mesmos seguravam. Sinto muito, mas as fotos da amamentação do trio vão ficar guardadinhas aqui no meu HD, tá? rs

mamadeiras

Se você não tiver 100% de aproveitamento, como eu, não se culpe. Bola para a frente, porque há muitos outros momentos fantásticos para serem vividos. Tenho certeza de que fiz o máximo e pronto. Não me culpo por não ter conseguido mais. Se aparecer outra mãe de trigêmeos que tenha conseguido aleitamento exclusivo, bato palmas para ela, sem nenhuma dose de remorso! Da próxima, eu tento de novo, viu Papai do Céu? Próxima reencarnação, tá?

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Author: Paola Lobo

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2 Comments

  1. Estou grávida de trigêmeos , primeira gestação, fiquei sabendo há dois dias, te confesso que estou Ainda em choque, se vão nascer prematuro, se vamos dar conta, se vamos ter dinheiro, se vamos surtar!!!! Me sinto até mal de estar em pânico ao invés de estar agradecendo , soltando fogos!!

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    • Fernandaaaaa, parece que estou me vendo! Eu também não escondo que não consegui curtir no início, porque é de pirar, né? Mas posso garantir que eles serão os maiores presentes da sua vida! Provavelmente nascerão prematuros, mas não tive qualquer problema quanto a isso e você também não terá, se Deus quiser! Bom, também ainda não sei se vamos ter dinheiro…rs Mas a gente vai dando um jeito, viu? O universo tem que nos ajudar, amiga… Tenho certeza de que vocês vão surtar sim… Hahahhahaha! Mas depois você vai rir disso tudo! Fique conosco e me escreva sempre que quiser. Terei o maior prazer em responder! contato@maepirada.com.br

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