Chefe, estou grávida!

Se você trabalha fora, provavelmente terá um friozinho na barriga ao dar a notícia da gravidez para seu chefe. Depois do pai da criança, ele será a pessoa mais interessada na sua gestação. Vai torcer para que tudo corra bem, para que você não entre de licença cedo, não tenha desmaios no expediente e não vomite na mesa. Ao receber a notícia, dará os parabéns e começará a olhar ao redor procurando uma pessoa para te substituir. É normal. Se você fosse chefe, faria o mesmo.

Muitas grávidas sentem um certo grau de culpa ao anunciarem a notícia no trabalho. Falo por mim…. Na minha primeira gestação, eu era editora de telejornal. Meu chefe já estava acostumadíssimo a lidar com grávidas e correu tudo muito bem. Mas o problema era eu, que não conseguia diminuir o ritmo e a culpa.

Trabalhei até o nono mês de gravidez, com aquele enorme barrigão, correndo atrás de matéria, ligando para repórter, colocando o jornal no ar, levando sustos a cada minuto – quem trabalha em TV sabe bem o que é isso. Entrei de licença às vésperas do parto. De repouso em casa, eu assistia ao noticiário dando pitacos, falava imaginariamente no ponto do repórter e controlava o tempo do apresentador. Tinha ataque de nervos quando algo dava errado, tipo chamar a matéria  e ela não entrar no ar.

O que eu ganhei com todo esse nervosismo? Nada! Minha primeira filha nasceu ligada na tomada, chorona e bravíssima. Acredito que tenha sido reflexo dos sustos que eu levava no trabalho. Se eu soubesse – e no fundo eu sabia, mas não conseguia mudar – teria desacelerado.

Grávidas workaholics (= viciadas em trabalho) têm a mania de se cobrar o tempo todo. Achamos bonito ir até o fim, trabalhar de chinelo de dedo porque os pés inchados já não cabem mais no sapato. Achamos nobre suportar o peso do barrigão durante oito horas seguidas sem reclamar para, às vezes, ganharmos um elogio ou um reconhecimento de “profissional guerreira”.

Na gestação dos trigêmeos precisei mudar radicalmente. Não era mais editora de telejornal, mas sim funcionária pública. O emprego era bem mais tranquilo, mas eu continuava a workaholic de sempre. Quando descobri que estava com três bebês na barriga, fui correndo aos prantos para o trabalho dizendo que não tinha condições emocionais de cumprir o expediente naquele dia. Meu chefe, um amorzinho, quase chorou junto comigo.

Um belo dia, fui a uma consulta de rotina. “Amanhã você não trabalha mais”, disse o obstetra. Eu estava com apenas QUATRO meses de gestação. “O quê? Como assim?”, pensou a workaholic, senhora perfeita, exemplo de profissional. “Como vou chegar amanhã no trabalho e dizer que não irei mais? Com que cara vou olhar para o chefe, para os colegas?”. O médico avisou com calma: “Se prepare. Na gravidez de trigêmeos, tudo acontece mais cedo. Esse é apenas o começo”. Naquele momento, me dei conta de que eu  PRECISAVA MUDAR. Não podia mais ser daquele jeito. Era o começo do fim da senhora perfeita.

No dia seguinte, apresentei o atestado no trabalho e me despedi dos colegas. Ainda sentia uma pontinha de vergonha por estar me afastando tão cedo. Aquele sentimento de culpa começou a querer florescer, mas não com a intensidade de antes. Eu estava começando a me transformar.

Durante a minha ausência, tudo caminhou tranqüilamente. O trabalho funcionou absolutamente dentro da normalidade. Era assim antes de eu chegar e vai continuar sendo depois que eu sair. Tudo estava do mesmo jeito no meu retorno.

A lição que tirei disso tudo é que essa relação deve ser de equilíbrio, sem radicalizar. Sim, muitas de nós dependemos dos nossos empregos! Mas devemos nos livrar dessa culpa que não nos pertence! Licença-maternidade é nosso direito e não devemos ter vergonha! Certamente não estaremos descansando nesse período (e sim trabalhando muito mais! He he he!).

Cuide bem do seu trabalho, se é dele que você tira o salário e a satisfação profissional. Mas também concentre-se em ser uma boa mãe, porque essa, sim, é insubstituível!

 

 

 

 

 

 

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Author: Paola Lobo

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2 Comments

    • Obrigada, Luiza!!! Fico muito feliz!!!

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