Bebês com sensor de presença

Quem tem filhos com sono agitado sabe o sacrifício que é colocá-los pra dormir. Depois, é uma luta pra mantê-los no berço. Fazemos de tudo para que o gigante não acorde, né? Desenvolvi várias técnicas, porque aqui em casa são vários gigantes.

Quando eles tinham apenas meses, eu prendia respiração, espirro, tosse… Corria ao cômodo mais distante da casa para tossir em paz. Mas nem sempre adiantava, pois essas vontades costumavam aparecer justamente quando estava com algum bebê no colo.

De madrugada, andava de meias, porque chinelo fazia barulho. Não dava descarga no vaso. Já bebi água da pia do banheiro para não ter que ir à cozinha. Não acendia luzes. E o principal: não falava. Eu e o papai fazíamos mímica para nos comunicarmos. O pior era quando cada um estava com um bebê no colo… Sem os braços, ficava difícil gesticular. Mexíamos, então, a cabeça e as pernas tentando passar para o outro a informação. Parecíamos dois loucos.

Quando as crianças dormiam no quarto (agora acampamos na sala), nossa regra de ouro era não chegar perto dos trigêmeos quando não éramos chamados! Isso porque os bebês têm um sensor de presença impressionante. Parecem as lâmpadas de corredores de prédios: é só chegar perto, que acendem.  Quanto mais apavorado você está, mais eles se mexem.

Às vezes, me sentia desnaturada ao ouvir outras mães dizerem que iam ao quarto dos filhos quando eles estavam muito quietos, para ver se estavam respirando. Minha nossa, isso estava fora de cogitação! Elas riem quando digo que não tinha o hábito de visitar o berço, a não ser que o baby chorasse. Acham que fazia isso porque sou mãe de trigêmeos e estava muito cansada. Mal sabem que nunca fiz, nem mesmo quando tinha uma filha só. Vai ver eu já era mãe pirada e não sabia…

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Author: Paola Lobo

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