Mãe Concurseira

Hoje vou escrever pra você, mãe que pretende estudar para concurso público! Nunca falei isso aqui, mas fui uma mãe concurseira. Sim, sei que é bem mais difícil para nós, que temos casa, família, filhos para cuidar… Mas não é impossível não! E quando a recompensa vem, minha amiga, é bom demais! Se eu consegui, tenho certeza de que você consegue também!

Vamos lá: eu trabalhava há quase dez anos em empresa privada, num emprego que eu amava, mas que não me garantia estabilidade. Quando minha filha mais velha nasceu, senti uma grande necessidade de mudar de vida. Eu trabalhava na imprensa como jornalista e tinha que fazer plantões aos fins de semana e feriados. Isso começou a me incomodar… Todos na pracinha com os filhos no sábado e eu presa na redação, longe da minha filha.

Quando ela completou um ano de idade, resolvi que a mudança teria que partir de mim. Se eu não me movimentasse, nada aconteceria. Só dependia de mim. E nada me impediria. Acessei um site de concursos e escolhi um da área judiciária, por causa da estabilidade. Nunca havia lido uma lei na minha vida. Sou jornalista! Não entendo de leis… Mas uma amiga, também jornalista, havia passado, então isso me motivou.

Me matriculei num cursinho simples presencial, com duração de três meses. Frequentava as aulas à noite. Então de dia eu trabalhava e de noite eu estudava. A culpa quase me matou. Quando eu chegava em casa, minha filha de um ano já estava dormindo. Ela ficava com o papai até eu chegar.

Sim, foram muitas as dificuldades e pensei em desistir milhões de vezes. Um belo dia, cheguei do cursinho à noite e escutei o choro da minha filha. Quando entrei em casa, ela estava passando mal naquele exato momento. Abri a porta e ela e o papai estavam completamente vomitados. Chorei e a peguei no colo, para que ele pudesse se limpar. Me senti mal por não estar ali direto. Me senti uma mãe ausente, a pior mãe do mundo…

Mas, passado o susto, o efeito foi o inverso: eu precisava mudar de vida para ter minha estabilidade e meus fins de semana livres. Isso era para o bem da minha filha. Aumentaria nossa qualidade de vida e teríamos mais tempo juntas. Eu não poderia desistir. A partir daí, toda e qualquer dificuldade me motivava ainda mais.

Quando o cursinho acabou, passei a estudar em casa à noite e nas primeiras horas da manhã, antes de sair pra trabalhar. Não é fácil se concentrar com criança de um ano em casa, mas eu aproveitava todo e qualquer tempo. Se eu conseguisse apenas 40 minutos, era nesse tempo curto que fazia o meu máximo.

Minha filha sempre dormiu muiiiiito mal. Então estudei para concurso mesmo sendo uma mãe zumbi. Eu acordava às 5h da manhã, quase me arrastando, tomava um banho e partia para a luta. Estudava de 5 às 7h. Depois saía pra trabalhar. No meu horário de almoço no trabalho, devorava a comida em 10 minutos e estudava os outros 50. E assim eu ia, estudando em toda e qualquer brecha que tinha.

Olha só então o que eu fiz:
1) Tentava não pensar nos concorrentes que tinham o dia inteiro para estudar, enquanto eu tinha apenas frações do tempo. Minha dica: esqueça os concorrentes.

2) Parei de adotar o padrão vítima: “Estudar com filho é difícil…”, “Para mãe é complicado…”, “É tranquilo para quem não tem filho…”, etc. Pode ser mais difícil sim, mas você consegue.

3) Parei de me culpar por estar mais ausente ainda. Se deixava de passear com a minha filha para estudar, era justamente para conseguir a liberdade definitiva de ficar com ela por mais tempo.

4) Na hora da dificuldade, eu trazia para a mente a imagem que me deixaria feliz: eu funcionária pública, curtindo os fins de semana livres com a minha filha!

E assim eu fiz durante um ano inteirinho (3 meses de curso + 9 meses estudando em casa). Nunca vou me esquecer do dia em que saiu o resultado. Eu abri o site da organizadora e meu nome estava lá! Estava lá, gente! Dentro do número de vagas! Eu havia passado!
Tive taquicardia. Tive dor-de-barriga e fui correndo para o banheiro! Eu estava no trabalho e ainda não podia divulgar nada. Comecei a suar desenfreadamente. Fui na janela, olhei pro céu e pisquei pra Deus, agradecendo. Liguei para a minha mãe! Liguei para o meu marido! Agarrei minha filha quando cheguei em casa e comecei a pular (e ela não entendeu nada, pois tinha apenas 2 anos)! Foi a minha libertação!

Tomei posse quase nove meses depois. Era um cargo de nível médio no Judiciário. Uma conquista que pode parecer pequena para uns, mas pra mim foi a maior das vitórias. Ganhei a minha estabilidade, meus feriados e minhas folgas nos fins de semana. Cada segundo de luta valeu à pena. Minha vida mudou radicalmente.

Peguei o gosto pela coisa e não parei por aí. Quando a minha filha tinha cinco anos de idade, resolvi fazer tudo de novo para um cargo de nível superior, com ótima remuneração. Eu já sabia que era possível. A dificuldade agora era passar entre os dez primeiros colocados, pois chamavam pouquíssimos aprovados. Pensei comigo: é difícil, mas não impossível passar entre os dez…
Estudei mais um ano e fiz a prova. Eram 17 mil candidatos e fiquei em 12º lugar (quase entre os dez). Achei que não fosse ser chamada, pois nos concursos anteriores só tomaram posse no máximo dez pessoas. Fui levando a vida sem pensar muito nisso…

Um ano depois da prova, minha vida virou de cabeça pra baixo: tentei o segundo filho e engravidei de trigêmeos. Minha rotina enlouquecedora com os bebês me fez esquecer de tudo ao meu redor, até mesmo desse concurso. Eu só pensava em criar meu quarteto! Imagine a luta agora para sustentar quatro filhos?
Quase quatro anos se passaram desde que fiz a prova. Quando o trio estava para completar dois anos de idade e minha mais velha, onze, recebi um telefonema na véspera do natal. Era dia 23 de dezembro. Uma moça ligou para o meu celular, dizendo que era servidora do tribunal para o qual eu tinha feito a prova. Eu comecei a tremer e perguntei: “Meu Deus!!! É o que estou pensando???”. Ela riu e falou: “Sim. Você vai ser nomeada essa semana e toma posse dentro de um mês!”.
Eu comecei a chorar de alegria e o resto você já sabe! Tudo de novo… Tive taquicardia. Tive dor-de-barriga. Fui pro banheiro. Fui na janela, olhei pro céu e pisquei pra Deus, agradecendo! Liguei para a minha mãe! Liguei para o meu marido! Agarrei meus quatro filhos quando cheguei em casa e comecei a pular como uma doida! Eu precisava muiiiito dessa renda extra, porque agora eram quatro filhos pra criar!

Não, não fiquei rica. Funcionários públicos não ficam ricos! Mas conquistei aquilo que sonhava: um cargo público com boa remuneração que me permitisse sustentar minha tropinha. Parecia um sonho! Mas era realidade! Quanto esforço, quanta luta. E olha o resultado aí! Hoje sou servidora do Judiciário federal, num cargo de nível superior, com muito orgulho.
Atualmente, não pretendo mais estudar. Amo meu emprego e me divirto cuidando do meu blog. Tenho tempo para os meus filhos e consigo sustentá-los. Está ótimo. Obrigada, Papai do Céu. Se eu consegui, você consegue também! Milhares de mães conseguiram! Conheço as mais variadas histórias de superação! Bom demais!

Bom, escrevi esse testamento para motivar você, mãe, que deseja estudar para concurso. Por favor esqueça as dificuldades e pense somente na imagem dos seus sonhos! E lembre-se do que falei lá no início: é trabalhoso sim, mas a recompensa, minha amiga, é pra vida toda!!! Gostou? Compartilha, que eu vou ficar muito feliz! Um beijo enorme e fique com Deus!

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Author: Paola Lobo

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