Bebê na barriga e minhoca na cabeça

BARRIGAÉ impressionante a quantidade de baboseiras em que pensamos quando estamos grávidas. O nome científico disso é caraminholicis in cabeçus. Toda anomalia de que temos ciência, achamos que vai acontecer conosco. Aposto um pote gigante de Nutellaque você também pensou (ou pensa) nisso…

Na minha gravidez trigemelar, eu estava sofrendo de caraminholicis in cabeçus em dose tripla. Eu tinha um sentimento de que um dos bebês poderia apresentar algum problema. Um não, dois. Dois não, todos os três. Como eu iria fazer para cuidar deles? Como teria três enfermeiras? Como iria conseguir pagar por tudo isso? Como eu iria trabalhar? Quanto lixo emocional!

Foi ali, naquela salinha de espera da terceira ultrassonografia, que meu bom senso me deu uns tapas na cara e me trouxe à realidade. “Pára com isso, menina!”, disse eu, por telepatia, para mim mesma. “Desse jeito não vai dar… Se na terceira ultra você está assim, vai enfartar antes do parto. Pare de se maltratar. Isso não faz bem para você, nem para os bebês. E o mais importante: NÃO ADIANTA NADA VOCÊ FICAR ASSIM! ISSO NÃO VAI EVITAR NADA!”.

Agora pense: é a mais pura verdade. O excesso de preocupação não impede que as coisas aconteçam. Ele só serve para uma coisa: prolongar o sofrimento. Tem gente que gosta de sofrer à toa. Vai para o banheiro chorar por uma situação hipotética e ainda dá uma olhadinha para o espelho. Gente dramática. Me incluo nesse rol. Se for o seu caso, guarde o seu talento para a vaga de protagonista da novela das nove. Tô esperando meu convite até hoje.

Certa vez eu li que noventa por cento das coisas de que temos medo simplesmente não acontecem. É isso mesmo: a maioria de todas as baboseiras em que pensamos simplesmente são caraminholas. Também esqueçam aquela história de que “o medo atrai”. Porque aí, você que já está com medo, fica com medo de ter medo porque ele atrai, mas você não consegue parar de sentir o medo, entendeu? Não atrai nada, senão eu estaria perdida.

“Tá bom. Mas e se acontecer algo ruim na gravidez?”, você me pergunta. Uma coisa que gestantes devem aprender, mais cedo ou mais tarde, é a viver um dia após o outro. Entregar para Deus (ou para a força superior em que você acredita, se acredita) é a atitude mais sensata sempre. Não temos o controle de nada. Não temos garantia de que nossos filhos nascerão perfeitos, de que terão um desenvolvimento perfeito, de que voltarão para casa depois da balada quando forem adolescentes. Por isso, não podemos entrar em desespero. Temos que viver um dia após o outro e enfrentar as dificuldades à medida que elas baterem à porta, sem ficar criando problema que não existe.

E não pense que eu, a senhora perfeita, estou totalmente curada da caraminholicis, porque não estou. Não cura nunca. Temos que exercitar nossa capacidade de abstração a todo o instante. É um treinamento contínuo. É como a fé: temos que orar sempre para mantermos a chama acesa. É como a musculação depois dos 30: se não malharmos continuamente, tudo despenca.

Pare de pensar besteira! Guarde seu coração para as boas emoções, para as surpresas maravilhosas que a maternidade vai lhe trazer! Aproveite para dormir e comer sua Nutella. Você, que não prega o olho agora por causa das preocupações, depois não fique reclamando quando passar a madrugada dando mamá e ninando neném, viu?

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Author: Paola Lobo

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3 Comments

  1. Tenho isso sem ser gestante… Será que tem cura? oh céus!

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