Pirei também, por Andréa Jacoto

Meu nome é Andréa e tenho 44 anos. Eu e meu marido Andre estamos juntos há 15 anos e, depois de três anos de casados, decidimos que era hora de termos filhos. Parei anticoncepcional e começamos a nos preparar para engravidar, porém, depois de quase 1 ano sem sucesso, fomos aconselhados a procurar um médico especializado em infertilidade. Eu já estava com 35 anos e não podíamos mais esperar…

Foram longos 6 anos e 8 procedimentos de fertilização in vitro, entre eles um aborto com 8 semanas de gestação. Realizamos muitos exames, tomamos muitos medicamentos, injeções, vacinas, mas nada dava certo, e nada de anormal aparecia em nossos exames para entendermos o que acontecia, porque não conseguíamos engravidar… Quando tive o aborto então, meu mundo desmoronou e quase abandonei tudo.

Mudamos de clínica e em uma nova fertilização conseguimos engravidar. Colocamos 3 embriões, mas somente um implantou e tivemos a alegria de saber que seria uma menina. Minha gravidez estava indo super bem e eu continuava trabalhando normalmente, quando, com 25 semanas, na sala de espera da consulta pré-natal, comecei a ter um sangramento muito forte. Imediatamente fui internada com o diagnóstico de “bolsa rota”.

Por algum motivo, minha bolsa furou e começou a vazar líquido amniótico, o que me forçou a permanecer deitada em uma cama de hospital, podendo levantar somente uma vez por dia para banho, durante 56 longos dias… Durante o período, eu precisava ingerir cerca de 4 a 5 litros de líquidos diariamente e a cada 3 dias fazia ultrassom para medir a vazão do líquido amniótico e checar se tudo estava bem com nossa bebê.

Ela nasceu com 33 semanas, 38cm e 1,8Kg, super saudável, respirando sozinha e conseguimos escapar de qualquer tipo de infecção. Comecei então minha primeira experiência como mãe de UTI, pois ela ficou internada por 24 dias para ganhar peso. Três dias antes da alta, foi detectada uma anemia profunda e ela precisou de transfusão de sangue. Felizmente se recuperou e pudemos leva-la para casa, seguindo todas as orientações e cuidados com um prematuro.

Enquanto estive internada, comecei a escrever meu livro onde relato nossa experiência com infertilidade, com o objetivo de encorajar casais a conversarem a respeito, buscarem por ajuda e até mesmo como dividir e com quem dividir o problema. Pelo que vivi, senti que até mesmo que convive com um casal infértil precisa de informação para poder entender, respeitar e ajudar nesse momento.

Me engajei no projeto e dei continuidade com o nascimento da Lari. Sempre quisemos ter pelo menos 2 filhos e, como parei de trabalhar quando a Larissa nasceu, decidimos que tentaríamos dar um irmão para ela o quanto antes, assim eu poderia voltar a minha carreira em 2 anos. Colocamos 2 embriões e, na véspera de Natal recebemos a notícia da minha gravidez! Foi uma alegria só, mas eu estava me sentindo muito estranha, com fraqueza, sono e muita fome, sintomas que não foram tão fortes na primeira gestação… Começamos a acreditar que os 2 embriões haviam implantado e que teríamos gêmeos.

No dia do ultrassom, quando a médica viu os dois sacos gestacionais e ouviu os corações, ficamos em um mix de alegria e apreensão, afinal, teríamos 3 filhos… Mas quando ela nos colocou um terceiro coração para ouvirmos, quase desmaiamos… Meu marido ficou estático, mudo e sua feição era de terror. Eu comecei a tremer inteira e a gaguejar… mil coisas passaram pela minha cabeça em uma fração de segundos… teríamos 3 bebês… 4 filhos!!!

Para minha surpresa, minha gestação foi muito tranquila e como sou muito alta, nem parecia que estava grávida de trigêmeos. Com minha experiência com a Larissa e mais toda pesquisa que fiz na Internet, planejei todo enxoval, chá de bebê e junto comeu marido montamos uma previsão orçamentária para os primeiros 3 meses após o nascimento.

Tudo na nossa vida mudou drasticamente… Como tive bolsa rota, minha ginecologista se antecipou e implantamos um pessário uterino para auxiliar o colo do útero a suportar o peso de 3 bebês e tentar evitar novo rompimento. Como engordei muito pouco, nem precisei entrar em repouso absoluto. A partir da 28ª semana só diminuí o ritmo, parei de dirigir e evitava sair sozinha.

Meus ultrassons eram quinzenais e passaram a ser semanais com 30 semanas e em um deles detectamos que um dos bebês estava com restrição no cordão umbilical e por ser um dos gêmeos univitelinos, foi decidido que realizaríamos o parto no dia seguinte. Durante o final da gravidez eu pedia muito para que o parto não acontecesse durante a copa do mundo, que eles esperassem para nascer na semana seguinte, mas eles resolveram nascer no dia do fatídico jogo Brasil x Alemanha…

Os três nasceram com 33 semanas, a Anna com 43cm e 1,8Kg, o Alexandre com 41cm e 1,5Kg, o Filipe com 41cm e 1,4Kg, saudáveis e respirando sozinhos!! Ficaram na UTI Neo por 29 dias para ganhar peso somente, e eu vivi minha segunda experiência, só que desta vez tinha que me dividir entre 3 bebês nas incubadoras durante o dia e outra bebê de 2 aninhos em casa… Quando foram para casa, foi uma alegria só, mas aí começou minha rotina para pôr ordem em nossas vidas.

Tenho uma ajudante que está comigo há muitos anos e já cuidava da Lari durante o dia. Ela rapidamente pegou o jeito com os trigêmeos também. Contratei por 3 meses uma babá noturna pois tentei alimentá-los sozinha e cheguei a ficar 72 horas sem dormir e quase enlouqueci.

Como tive pouco leite, amamentei somente até os 3 meses e partimos para mamadeira. Logo condicionei o trio a dormir 6 horas seguidas e, quando isso aconteceu por 15 dias seguidos, foi a hora de dar adeus a babá noturna. Com 6 meses eles já dormiam 8 horas seguidas e eu passei a descansar mais.

Em casa meu ritmo é meio “carrasco”, mas só com um regime militar consegui pôr ordem e atender as necessidades de 4 filhos e 1 marido!! Os três acordam no mesmo horário, dormem no mesmo horário e comem nos mesmos horários. Não temos tempo pra muito colo, muito mimo, tudo é dividido entre os quatro. Quando ficam doentes é uma loucura, tantos medicamentos, horários, choros, vômitos… mas tudo faz parte. Respiro fundo, conto até 10 e ás vezes me tranco no banheiro por 5 minutos no chuveiro e choro bastante… só assim pra não pirar!!

Hoje tenho o blog “Mãe de Proveta” no Facebook onde divido experiências com mamães e com quem quer ser mamãe. Finalizei meu livro e busco editora para publicá-lo ainda este ano. Não sei quando vou poder voltar a trabalhar e junto com meu marido planejamos na ponta do lápis nossa vida financeira. Já percebi que com o tempo eles vão crescendo e tudo vai ficando menos difícil… Hoje tenho 4 filhos lindos e, quando olho pra trás, tenho o sentimento de que faria tudo novamente, só pra ter a felicidade que vivo hoje!!

As duas gestações

As duas gestações

184- quarteto

O quarteto hoje!

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A família completa!

Quer conhecer mais sobre a história da Andréa? Curta a página Mãe de Proveta no Facebook!

E você? Tem uma história legal pra contar? Escreve, vai? Vamos adorar compartilhar sua experiência! 

contato@maepirada.com.br

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Author: Paola Lobo

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24 Comments

  1. Muito legal essa história, e pode incentivar muitas pessoas a não desistirem, tomara que consiga uma editora. Boa sorte!

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  2. Vcs são guerreirass , eu com gêmeos já piro , fico tentando imaginar vcs com 4 filhos pequenos…mas Deus eh incrível …deu seus filhos a vcs pois Ele sabe que vcs serão excelentes mães!!!! Comprei seu livro ontem, esperando a sua chegada ansiosa!!

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    • Não é facil Marcela, vc pode ter uma ideia, mas coração de mãe sempre cabe mais um e a gente pira, mas não perde o rebolado!

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  3. Linda história!!! Eu engravidei naturalmente de gêmeos bivitelinos e foi um baita susto!!! Rs. Imagino sua cabeça com a notícia de que teria 4 bebês pra cuidar!!! . Apesar de todo trabalho tenho ctz que a felicidade que é ser mãe compensa tudo!!!

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    • Com certeza! Acho que o pior momento foi quando tivemos q adiantar o parto e o medo de todos nascerem sem sequelas… mas tudo deu certo!

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  4. Dejane Zanini, Evandro Machado Fernandes, olhem essa história! Que Deus abençoe muito essa família e tantas outras que têm gêmeos ou trigêmeos. Pois de fato deve ser muito cansativo pros país. Mas é claro que a alegria tbm é imensa! Esses pequenos são mesmo bênçãos de Deus em nossas vidas.

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    • O cansaço é fato, mas a alegria de ver nossa linda família e a realização dos nossos sonhos, nos dá forças pra continuar sempre!

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  5. Muito legal, linda história. Aqui também pulei de 1 para 3 depois de fertilizar. Glória a Deus

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  6. Parabens Andrea pela familia e historia linda, bjs

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  7. Obrigada pela oportunidade Paola, ficou ótimo! Obrigada a todos pelos comentários, estou lendo com carinho e vou respondendo…

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    • Andrea, foi um prazer conhecer essa família linda e abençoada!!! <3

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  8. Que coisa linda! E eu enlouquecendo com a minha filha de 2 anos … Rsssss.
    Muitas felicidades para todos e muita saúde pra bagunçarem bastante 😀

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