Relato de parto, por Arusa Salgado

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Por Arusa Salgado

Todo vento sopra a favor de quem sabe para onde ir e, quando você tem FÉ e busca em Deus, a realização dos sonhos e planos que Ele tem para sua vida, Ele próprio lhe dá forças além das suas e torna aquilo que é impossível real, e, ainda que o mar cresça diante dos seus olhos, em Deus você encontra o descanso necessário e a Sua Forte mão lhe guia e sobre as águas. Ele lhe faz caminhar em segurança.

Há cerca de um ano atrás, em dezembro de 2014, senti em meu coração o desejo de ser mãe e, junto com meu marido, decidimos que 2015 seria o ano do início das nossas tentativas de engravidar. Entreguei a Deus o desejo do meu coração e comecei a me preparar para esse propósito, e qual não foi a nossa surpresa e imensa alegria ao descobrirmos, na madrugada do dia 20 de abril deste ano 2015, por um teste de farmácia, que estávamos grávidos!

Para me acompanhar ao longo da jornada, escolhi o médico obstetra, Doutor Wilson Ayach, por ser um profissional de excelência, um ser humano íntegro, comprometido e de um coração enorme, que sempre me acolheu com um largo sorriso no rosto, um abraço terno de pai e me transmitiu toda segurança e paz que precisava em cada atendimento, conduzindo a tudo com muita firmeza, sem neuras e radicalismos, e que literalmente, se deitou no chão e ajoelhou comigo para aguardar a chegada do meu bebê!

Salvo engano, na nossa consulta com o doutor Wilson, logo após a descoberta da gravidez, quando vimos no ultrassom o saco gestacional de 6 semanas e 4 dias, e um coraçãozinho a pulsar fortemente, ele comentou acerca de parto comigo e me perguntou se eu tentaria o normal. Disse-lhe que, em princípio sim, mas que teria de pensar melhor sobre o assunto e mais para frente, conversaríamos a respeito.

Como, quando você começa a fazer parte desse universo gestacional, tudo parece lhe atrair para ele, um dia assistindo TV, eu e meu marido nos deparamos com um documentário que mudaria as nossas vidas, chamado “O Renascimento do Parto”, que muito nos tocou e reafirmou o nosso desejo pelo parto normal, e me cativou principalmente, quanto ao parto humanizado, eu me emocionei muito com os depoimentos prestados e acreditei que seria possível viver aquela experiência incrível também.

Comecei a me informar melhor sobre o assunto, li muito, assisti a vídeos e palestras e busquei saber sobre os prós e contras dessa minha decisão. Muitas questões surgiram: Sentiria Dor? O trabalho de parto poderia levar horas? Ficaria cansada demais? O bebê poderia mudar de posição? Poderia não dilatar o bastante? O bebê poderia não descer e precisar ir para uma cesariana no fim? Sim, tudo isso é verdadeiro, mas, também é verdade que não existe parto sem dor; que escolher bem os profissionais que lhe acompanharão nesse momento, ajuda você a encarar o tempo do trabalho de parto; bem como, estar num hospital dotado de recursos para eventuais problemas ou emergências lhe dá segurança e faz toda a diferença; e, tudo isso se apequena diante da grandeza de saber que você pode parir um filho na hora dele, em que ele decidiu que está maduro e pronto para vir ao mundo!

Digo sem sombra de dúvidas, que as vantagens de um parto normal/natural são infinitamente maiores que os contras e, me empoderei disso! Claro que, além da mente, preparei meu corpo para esse propósito e, nisso o Pilates foi fundamental, me fortaleceu tanto os músculos quanto a respiração. Foram 6 (seis) meses de exercícios quase diários com a minha professora Bruna Oliveira, que valeram muito e me ajudaram bastante na hora! Procurei também uma nutricionista especialista em grávidas, Aline Baldan, e juntas, focamos numa dieta rica em tudo o que fosse importante para o desenvolvimento do bebê em cada fase do seu crescimento, a fim de engordarmos somente o necessário para não comprometer meu rendimento no trabalho de parto ativo, vez que sabia que precisaria de resistência e muita disposição.

Nessa nova realidade, nos deparamos também com a figura da Doula, profissional, de que confesso, nunca ter ouvido falar antes do documentário a que me referi acima, e que pensava ser apenas a modinha do momento, mas não demorou muito para perceber o quanto estava equivocada a esse respeito. Graças a Deus, na busca pela Doula que nos acompanharia no parto, uma amiga me indicou a Fabrina, e já no nosso primeiro contato vi brotar uma forte empatia entre a gente e, na nossa primeira entrevista senti que tinha de ser ela mesma! Nos encontros que se sucederam, nas conversas em redes sociais e grupos de Whatsapp constatei que tinha feito uma grande e acertada escolha! O jeito espontâneo, franco e meio “amalucado” da Fabrina são cativantes. Demais disso, todas as meninas amavam a Fa, reforçavam a todo tempo o importante papel e desempenho que ela exercia, antes, durante e após o parto, mas principalmente, durante o trabalho de parto, fosse ele normal ou por cirurgia cesariana, todas confirmavam o quanto as suas palavras de incentivo, as suas massagens, e até os “pitos”que ela precisava dar às vezes eram importantes e faziam a diferença, e, isso me transmitia muita paz e segurança ao coração! E, comigo, não foi diferente! Quando chegou a minha hora, a Fabrina estava lá ao meu lado e foi sensacional, me ajudou muito! Ela foi incrível!

Na verdade, sem a Fabrina, sem suas mãos abençoadas; sem o doutor Wilson Ayach; sem o meu marido e sem a nossa fotógrafa Paula Cayres, que além de registrar a tudo com extrema discrição e cuidado, sempre tinha um sorriso terno no rosto e uma palavra doce e amiga nos lábios; enfim, sem todos eles, eu não teria conseguido chegar tão longe! Eles foram instrumentos preciosos nas mãos de Deus!

Tudo começou no dia 4 de dezembro de 2015, uma sexta- feira, véspera do nascimento de Alice. Acordei pela manhã sentindo cólicas e dores abdominais e, inicialmente pensei que poderia ser uma indisposição estomacal por conta de uma pizza da comemoração da noite anterior, mas notei um resquício de sangue ao urinar, diante disso avisei a Fabrina, e também o meu obstetra, Dr Wilson Ayach, e ambos disseram que era apenas o comecinho de tudo! Lembro-me bem do Doutor Wilson ter me respondido: “Fica tranquila, está chegando a hora!” Nossa, estava chegando a minha hora! Minha filhinha estava a caminho, e nas próximas horas, ou talvez dias – pois aprendi que os prodromos (sinais do parto) podem durar horas, dias e até semanas, e isso acontecera com duas amigas do grupo das Doulandas de que faço parte -, de todo modo, em breve, a teria em meus braços…

Liberada pelo médico para sair de casa e seguir vida normal, fui de carro visitar uma amiga junto com a Fabrina e, no caminho de volta, percebi que as dores se intensificaram, era meio-dia quando comecei a usar meu aplicativo de contrações baixado na última aula da Fabrina (DORAP pra quem se interessar), as dores eram fortes mas não ritmadas ainda. No almoço, seguindo as orientações que havia lido nas várias pesquisas que fiz, decidi me alimentar essencialmente de carboidratos, e comi massas, carne e vegetais, pois afinal, precisava de energia para encarar o trabalho de parto que tinha pela frente ainda. As cólicas, ou melhor, os prodromos se instalaram cada vez mais fortes, muito embora irregulares, mas me concentrei no fato de a dor forte durar cerca de um minuto e depois passar, e assim, enveredamos pela tarde, noite e madrugada inteiras, eu e o meu marido, monitorando as contrações e enfrentando e driblando as dores como dava…em casa, fiz muitos exercícios na bola de pilates, caminhadas, agachamentos, banhos quentes, e, mesmo bem pouco, cochilei entre uma dor e outra mais espaçada…

Vimos, ainda, o tampão sair, e já era  madrugada de sábado, dia 05/12, quando por volta das 05h30, conversando com a Fabrina pelo Whatszap, eu e meu marido decidimos ir até a maternidade a fim de passarmos pelo plantonista para uma avaliação… Após a consulta, o plantonista disse que eu estava no início da fase latente ainda, com cerca de 3 (três) centímetros de dilatação, e me recomendou ir para casa.

Mas quando você entrega tudo nas mãos de Deus, Ele se encarrega de cuidar de você e de todas as suas necessidades! Digo isso, pois meu marido tinha enviado antes um pouco, uma mensagem ao Doutor Wilson, avisando-lhe que estávamos na maternidade para uma avaliação, pois as dores tinham aumentado e, o doutor respondeu que estava a caminho da maternidade e que era para aguardarmos por ele. Assim o fizemos, e qual não foi a nossa surpresa quando, passado cerca de meia-hora, o doutor Wilson me avaliou e constatou que, eu estava em trabalho de parto, com 6 (seis) centímetros de dilatação, e na maternidade eu fiquei já e fui encaminhada imediatamente para a internação e para a sala de parto. Ainda bem que, prudentemente, já tínhamos deixado as nossas malas e a da bebê no carro por precaução dias atrás. E, foi o próprio doutor Wilson quem primeiro avisou a Fabrina para correr para a maternidade e, às 7h fui conduzida diretamente para a disputada Sala de Parto Humanizado – Sala 4-, onde daria início à realização do meu sonho.

Me instalei na sala 4, preparei minha caixinha de som com meu playlist, a Fabrina chegou minutos depois, trazendo bolo e um pudim deliciosos, bem como, o Mauricio, meu marido, logo desceu do quarto, se trocou e se colocou a postos ao meu lado, chegou também a Paula Cayres, nossa fotógrafa querida! O doutor Wilson tinha ido realizar duas cirurgias cesarianas e mais tarde se juntaria a nós.

Junto com a Fabrina dei início aos exercícios, massagens e relaxamentos, caminhei a passos largos pela sala e, com ela e meu marido relaxei um pouco no chuveiro quente, depois me exercitei na bola de pilates e não demorou muito para eu ir para a banheira… Diga-se de passagem, uma piscina infantil de plástico com desenhos de peixinhos e fundo do mar, mas que é mágica, e isso é o que importa! Santa banheira! Como alivia as dores e o peso das articulações ficar dentro dela…

Mágicas também são as mãos da Fabrina!
Sabidamente, a Doula existe para acompanhar a gestante antes, durante e após o parto, lhe dando apoio emocional, psicológico e físico, lhe ajudando essencialmente a respirar, fazendo-lhe massagens, incentivando, e até alimentando-lhe se for o caso, e a Fabrina fez tudo isso e muito mais, ela foi nota mil, e possui ainda, mãos fora de série! Ela é uma Doula de excelência! As massagens dela são bem fortes, vigorosas que chegam a intimidar as próprias contrações, creio que deve ter algum segredo no óleo de lavanda e pimenta que ela passa nas mãos, pois é muita unção!

Na banheira, você relaxa bem e, consequentemente, inibe as contrações involuntárias, e a Fabrina sempre alerta a tudo a nossa volta, percebeu isso e me indicou levantar, me mexer, agachar, a sair da minha zona de conforto e trabalhar um pouco para as contrações não pararem, afinal, eu estava ali para parir e não para relaxar né? kkk Como a mão que fere é a mesma mão que afaga, depois de me exercitar mais e sentir as contrações novamente, voltei a me aconchegar na banheira e a Fabrina jogava água quente nas minhas costas pra aliviar a tensão e as dores, e me dava também bolo pra comer, o qual eu provei mesmo com um pouco de enjoo por causa da dor e, que estava uma delicia! E, assim seguimos…

A cada contração que vinha eu apertava as mãos do meu marido, ele foi meu conforto e apoio e ficou firme e forte ao meu lado, o tempo todo, me incentivando a prosseguir e me encorajando sempre! Nesse compasso ficamos, quando por volta das 9h30min o Doutor Wilson chegou, auscultou o coração de Alice, estava tudo bem, e se acomodou com a gente. Entre uma contração e outra eu também participava da conversa Kkkk.

Da banheira, a gente partiu para a bola de pilates… Como é bom quicar naquela bola, rebolar nela, desenhar o símbolo do infinito, um bálsamo também! Ainda mais quando toca uma música que você adora e que fala muito ao seu coração, que traz Deus para mais perto de você e faz você transcender para além do limite físico que você se encontra, aí tudo fica perfeito. Quando estava me exercitando na bola, tocou aleatoriamente no meu playlist, um louvor que eu amo, chamado “Oceanos” da cantora Ana Nóbrega, e eu viajei, cantei, chorei, clamei, me fortaleci mais e mais em Deus! Orei inclusive, pela alma da minha tia que havia falecido na véspera e estava sendo enterrada justamente naquela manhã…a vida é cheia de mistérios, um ciclo se fecha, e outro se inicia! Um misto de emoções me invadiu o peito naquele instante! Não fosse a Fabrina ao meu lado (chorando, como ela me confidenciou mais tarde), eu teria caído da bola, porquanto me desequilibrei viajando nos meus pensamentos e súplicas. De fato, sua mente e seu espírito precisam estar igualmente focados e fortalecidos para você enfrentar uma situação de parto e, eu sei que não fosse a presença viva e eficaz do meu Deus naquele lugar me renovando as forças, e encorajando o meu espírito eu não teria conseguido!

Conforme a manhã passava, ficávamos mais unidos, me senti muito acolhida na sala de parto, pois há muito carinho, respeito e amizade, todos trabalham em prol de um mesmo objetivo que é trazer ao mundo seu bebê em segurança! O clima era muito bom, e nos divertíamos também! Todos tiravam sarro do meu marido, pois conforme a hora passava ele estava perdendo o bolão da família, vez que tinha apostado que Alice nasceria no dia 4, e como ninguém havia escolhido o dia 5, segundo as regras estabelecidas, ele poderia ganhar se ela nascesse até o meio-dia, mas as coisas iam longe por ali Kkkk

Mas, a despeito de me sentir bem, estar entre amigos, em um lugar agradável e aconchegante, senti muito cansaço também, afinal estávamos sem dormir direito desde o início da tarde do dia anterior, e eu ainda, sentindo as dores das contrações! Por isso, nessas horas faz muita diferença a equipe que você tem ao seu lado, e a minha era humanizada por inteiro! O doutor Wilson me deixou deitar e descansar um pouco, não fosse o fato de as dores ficarem mais fortes na posição deitada, é um imenso consolo você poder se deitar e ter o seu médico lhe dizendo isso, sem lhe apressar ou querer terminar tudo logo, do contrário, antes, respeitando o seu tempo e lhe transmitindo toda a paz e serenidade do mundo! O doutor Wilson cativou ainda mais minha admiração e respeito por essa sensibilidade que teve para comigo, e que certamente, tem com todas as suas pacientes, pois todas o admiram e o respeitam muito!

Em todo o tempo, o Doutor Wilson foi muito atencioso, responsável, auscultava o coração do meu bebê periodicamente, e conduzia o procedimento médico com tamanha leveza e tranquilidade que levou embora os meus fantasmas e me acalmou a alma. Por volta das 11h30mim me aconselhou a romper a bolsa, me deixando muito à vontade para esperar se por ventura quisesse, mas sempre esclarecendo com toda sinceridade, as vantagens e desvantagens do procedimento… Sempre disse ao doutor Wilson que ele tinha a minha confiança irrestrita e que atenderia aos seus comandos sem contestar, pois sabia do seu comprometimento com a gente, e que se precisasse plantar bananeira, eu daria um jeito…kkkk eu, meu marido e o Doutor ponderamos a respeito, e decidi por romper a bolsa, esperando as contrações aumentarem em consequência, mas nem posso dizer que tenham crescido tanto… Eu tinha me concentrado no fato de que precisava suportar a dor por cerca de um minuto ou um pouquinho mais e que depois ela passava, e levava um tempinho pra voltar, de modo que dava para respirar e relaxar um pouco e, como aprendi com a Fabrina que respirar comprido, relaxando os ombros e vocalizando sons abertos aliviava muito, consegui suportar bem mais as contrações quando elas vinham…  Procurava sempre fazer o que a Fabrina ou o Doutor Wilson me recomendavam pois sabia que era o melhor pra mim!

Consegui ir até o fim, suportando as dores e expulsando minha filha de dentro de mim da forma mais natural! Não sou super corajosa, louca ou a mulher maravilha por causa disso, graças a Deus tudo convergiu para que eu conseguisse ter o meu parto assim, como sonhei. Não vou dizer que não pensei em pedir analgesia, pois as contrações doem sim, mas como ouvi de uma amiga uma vez, “é uma dor de amor, dor de vida”, além disso, avaliei o tempo que levaria até o centro cirúrgico para realizar o procedimento, e também o fato de que não poderia mais voltar para a sala de parto, e, eu queria estar ali, naquele espaço humanizado, no meu céu, ouvindo as minhas músicas, me exercitando…por isso, respirei fundo, foquei no meu intento e tapeei um pouco mais a dor… Também não vou dizer que não pensei em pedir para ir para a cesárea, afinal, estava cansada e já tinham se passado muitas horas, e com o rompimento da bolsa, percebi minutos depois que tinha escorrido um pouco de mecônio, o que me deixou tensa e preocupada. Chamei o doutor Wilson e lhe disse que estava cansada e que havia visto o mecônio no lençol e que ele podia interromper o meu trabalho de parto e fazer o que fosse preciso, me levar para uma cesariana, aplicar ocitocina em mim, enfim, o que fosse necessário e melhor para proteger minha filhinha, pois eu já tinha chegado muito mais longe do que imaginava e não me importava mais em ter um parto normal se acaso ela estivesse em risco, e, esse homem, no auge de todo seu sucesso e reconhecimento profissional, com toda simplicidade que lhe é peculiar, se levantou do chão e se ajoelhou ao meu lado e, segurando as minhas mãos, olhou nos meus olhos e me disse com toda tranquilidade, que estava tudo bem com Alice, que ele estava monitorando os sinais dela e estava tudo sob controle, de modo que não era para eu me preocupar, pois ele não estava preocupado, e, que o mecônio não representa perigo ou sofrimento fetal por si só, se os demais sinais do bebê estiverem bons, e que ele confiava em mim, e sabia que eu tinha me preparado para aquele momento e, que eu não precisava de ocitocina pois as minhas contrações estavam fortes e, também que não me levaria para uma cesariana pois não era necessário.

A minha equipe foi mesmo fantástica, todos me incentivaram a prosseguir, me fortaleceram mais e mais. O meu marido segurou minha mão e disse que acreditava em mim, que faltava pouco! A Fabrina e a Paula me mostraram como eu estava evoluindo bem e que tudo ia dar certo… E o meu médico como se pode ver, foi fabuloso! Digo sempre que, quando o meu corpo foi cansando e meu coração ficou apertado, o Dr Wilson veio como um anjo e acalmou meu espírito e me encorajou mais um pouco… Ele foi incrível, pois abafando de certo suas preocupações, exorcizou os meus medos…ao doutor Wilson Ayach, dizer obrigado é pouco!

E foi assim, que com um fôlego novo eu subi mais uma vez na cama, agora pra tentar a posição de quatro, quando senti então, uma pressão e calor na pelve, que segundo todas as informações lidas e processadas, anunciavam que Alice estava ali, muito mais perto, chegando para os meus braços… Isso me deu mais força! O doutor e a Fabrina avaliaram a posição em que me encontrava e me disseram que ela não me favorecia, pois não me dava a abertura necessária para a expulsão, sendo o mais indicado para mim a banqueta…Sabia que precisava sair daquela cama e me sentar na banqueta… Pedi uns minutos ao doutor pra me concentrar nisso, e clamei a Deus por mais um pouco de força, para que Ele me iluminasse e me ajudasse a trazer Alice ao mundo! Falei também com Alice, para ela não ter medo de vir, pois o amor a esperava aqui fora! Pedi então, para a Fabrina preparar a banqueta e desci da cama de ré… Me sentei na banqueta – confesso que a posição de cócoras ou sentada, não foi das posições sugeridas, a que mais eu tenha gostado, mas a aceitei por saber que era a melhor para o meu expulsivo – e, ali então, sentada na banqueta, apoiada no meu marido, tinha a Fabrina ao meu lado, decifrando meus sinais de dor e massageando com vigor minhas costas… A minha frente, o Doutor Wilson Ayach, literalmente deitado no chão… O doutor me ensinou a respiração da força expulsiva e pacientemente me ensinou a perceber a diferença entre ter vontade de fazer força e fazer força só por causa da dor. A pediatra, Dra Suely Pretto, foi chamada e também se acomodou na sala à espera de sua nova paciente.

E nisso, já passava pouco mais de 13h30min, quando começou a chover ou quando percebi que lá fora chovia torrencialmente… chuva de bençãos dos Céus! que maravilha! Que bom presságio! Senti que Deus estava renovando tudo,limpando e preparando um novo campo para nós! Senti também vontade de fazer força e fiz… O Doutor Wilson  perguntou se queria tocar a cabecinha da minha filha, nessa hora o coração acelerou, pois sabia que faltava muito pouco pra ter minha bebê em meus braços… De repente, o meu marido começou a chorar, e eu pensei: – Meu Deus, o Mauricio está vendo a Alice, ela chegou e eu preciso de forças para tirá-la de mim, me ajude Senhor! E, eis que um clarão de luz rasgou o céu e sob a voz do trovão, as 13h59 Alice nasceu! Das mãos do Dr Wilson, Alice veio direto para o meu colo e ali ficou acomodada por uns minutos e eu pude sentir a maior emoção da minha vida, e junto com meu esposo, profetizar sobre ela as mais ricas bênçãos do Céu, a proteção e o amor de Deus e a cobertura do Espírito Santo da promessa!

Gratidão é o que transborda de mim! Toda gratidão do meu coração a Deus, o autor e consumador da minha fé, que me inspira e me dá forças! Gratidão a Fabrina por todo carinho, dedicação amizade e serviço, por ser uma Doula tão presente e companheira, incentivadora, amiga!  Gratidão ao Dr Wilson Ayach por todo seu afeto, sensibilidade, disponibilidade e pela segurança e força transmitida a nós. Gratidão a Paula Cayres por sua sensibilidade e discrição. Gratidão a Dra Suely Pretto pelos cuidados com a minha pequena. Gratidão ao meu marido, amor da minha vida, que se manteve forte ao meu lado e não tosquenejou, me incentivou todo o tempo e foi minha mão forte até o fim.

O dia 05 de dezembro de 2015 se tornou um marco na minha vida, não apenas por ter sido o dia em que segurei nos braços minha Alice, mas por ter sido o dia em que, como mulher, me tornei livre! Que literalmente, expulsei de mim as amarras e fraquezas que carregava e, pude, pela FÉ transcender, para um plano mais elevado de luz, descobrindo em mim, uma força e coragem que desconhecia até então, e fazendo brotar do meu ventre a essência e a verdade pela qual vivi até hoje! Digo e repito: Passaria por tudo de novo, mas com todos eles ao meu lado!

Que Deus abençoe mais e mais a cada um e lhes retribua com vida e saúde abundantes! Hoje, dia em que encerro o meu relato de parto, minha pequena Alice já está com 25 dias completos, a vida da gente muda radicalmente com a maternidade, mas é uma experiência incrível em todos os sentidos, novas sensações, sentimentos e desafios se apresentam… Como diz Maria Bethânia: “Você verá que a emoção começa agora, agora é brincar de viver!” Bom, mas isso é assunto para um próximo relato! Um forte abraço, Arusa.

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Author: Paola Lobo

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