A primeira vez com o bebê no hospital

Eu nunca havia ficado no hospital com um bebê até meu trigêmeo número 2, lindão da mamãe, pegar uma infecção no machucado do dedão do pé. Minha mais velha já ficou internada outras vezes, mas era crescidinha, então não conhecia o sufoco de ter que conter um baby numa cama.

Logo no início, é aquele escândalo para colocar o acesso venoso no braço. O bebê, nervoso, quer arrancar a fiação toda. Depois que se acostuma, fica querendo lamber a gase do curativo e coçar o dente no catéter.

Durante a prisão por causa do soro, ligo a Galinha Pintadinha no celular, mas a atenção de uma criança de um ano e oito meses tem prazo de validade curto. Aí, você canta e planta bananeira com o filhote no colo para que ele não perceba que está ligado àquela parafernália.

Quando acaba o soro e a gente solta a quiança no quarto do hospital, ela sai colocando o dedo em todas as tomadas, abre a lixeira, puxa a bandeja das refeições, lambe o chão e ainda faz pirraça quando é contida.

O Lindão tentando catucar a tomada protegida

O lindão tentando catucar a tomada protegida

Agora, o pior é a madrugada. O bebê demora muiiiito a dormir porque tudo é novidade. Quando finalmente cai no sono, você apaga a luz e deita na cama com ele (porque aquela grade não segura criança dessa idade). Aí, vem uma vontade ridícula de fazer xixi, que você só tem porque não pode ir ao banheiro. Tenta esquecer, mas a bexiga traiçoeira fica lembrando.

Nessa, você levanta da cama barulhenta, pedindo pelamordeDeus para o rangido não acordar o bebê. Como o banheiro é pertíssimo, você calcula que haja tempo hábil entre um possível resmungo dele e a sua disparada da privada até a cama, sem que ele caia. Mas o medo da queda é maior, então você resolve chamar a enfermeira e vai encontrá-la na porta do quarto, implorando para que não respire para não despertar o neném. Segue rebolando para o banheiro, para não pagar o mico de fazer xixi na calça diante de uma pessoa que nunca te viu pela frente.

Volta para a cama e se espreme na faixa de vinte centímetros que sobrou. Cai num sono profundo até que, dez minutos depois, entra outra enfermeira, que acende todas-as-luzes-sem-dó-nem-piedade. Ela não tem culpa, porque precisa enxergar o remédio, né? Por um momento, cega pela claridade, você acha que morreu e está chegando ao céu. Dizem que há uma luz dessas no check in do paraíso (porque é pra lá que a gente vai).

Quando a enfermeira vai embora e você se acomoda no colchão novamente, o soro para de pingar e o bebê “perde a veia”. É necessária outra agulhada. Aí é aquele escândalo, recomeçando do zero todo o trabalho perdido. Horas depois, quando você acaba o demorado serviço ninatório e se deita novamente, o que acontece? Xixi de novo. Tidizê, viu? Mas eu já aprendi. Da próxima, o segredo é levar fralda. Fralda pra mim.

 

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Author: Paola Lobo

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14 Comments

  1. Vc é demais Paola Lobo! Consegue relatar com leveza um momento tão delicado. Quanta sabedoria! Deus te abençoe cada vez mais. Sou sua fã tá?! Estou na torcida pela alta do pequeno o mais rápido possível! Bjos.

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  2. Olha vc é muito espirituosa! Mas imagino como deve ser difícil, fico pensando como seria ficar internada com mais 3 filhos em casa, sendo 2 da mesma idade! Não teria a calma q vc tem. Parabéns pela leveza e praticidade com q vive. Guerreiraça!

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  3. Kkkkkkkkkkkkkkk. Meu Deus. Como consegue explicar toda a vida de uma mãe desse jeito? Kkkkkk. Graças a Deus seu bebê está bem. Deve ser sua energia boa tbm.. ajudando tudo em volta.

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  4. A situação é difícil, mas você descreve de um jeito tão engraçado que eu sempre caio na gargalhada!!!

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  5. Um relato muito real , com muito bom humor !!! Parabéns e melhoras ao baby número 2 , Lindão da mamãe !!

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  6. Minha primeira vez no hospital com minha pequena internada foi de muita aflição e depois gargalhadas…É cada coisa q passamos

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  7. Kkkkk! Rindo muito com o jeito que você descreveu a situação, porque é bem assim mesmo. Voltamos para casa, acabadas! Sem contar que quando a criança está internada em enfermaria, o medicamento da outra criança, nunca é no mesmo horário do seu! E quando o seu filho está em jejum e a outra criança não! Haja paciência para lidar com a situação! Definitivamente, ser mãe não é fácil, kkkkk!

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  8. Kkkkkkk aqui na torcida para que seu bebê vá logo pra casa . Obrigada por compartilhar conosco esse momento tão difícil de maneira tão suave. Beijos

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  9. Obrigada, meninas!!! Mas só consegui escrever depois de ter certeza de que ele estava bem! Depois do sufoco, a gente ri!

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