Amamentação: eu não sabia que era assim!

breastfeedingSe você é um mamífero terráqueo, certamente já terá ouvido falar sobre os benefícios da amamentação. Tudo de bom que você escutou é a mais pura verdade. É uma das poucas coisas da vida sem qualquer tipo de contra-indicação.

Minha primeira experiência foi, digamos assim, inusitada. Saí da sala de parto e uma enfermeira enorme, com voz de homem e cara de brava, falou: “Vamos ver se o neném vai fazer a pega”. Eu disse: “Tá bom”, com medo de que ela batesse em mim. Ela abriu minha camisola e puxou o bico do meu seio até o teto. Eu quase morri de dor e pensei: “Gente, o que é isso???”. Em seguida, ela pegou minha filhinha e plugou no meu peito. Só que eu pensei que esse “plugar” fosse suave. Só que não. Você já viu bezerros mamando? Reparou que eles enroscam a língua na teta da vaca (sem ofensas) e puxam com toda a força? Igualzinho.

Achei tudo estranho. Juro que pensei que a sucção fosse leve, como beber um refrigerante num canudo. O bebê puxaria suavemente e você ficaria com aquela cara angelical de mulheres em comerciais de amamentação. Na verdade, era algo mais agressivo, tipo a força que se faz para tomar um milk shake com canudo entupido. Bom, esse início foi doloroso. Ainda mais que minha primeira filha era chorona e ficava pendurada no peito o dia inteiro. Então isso acabou causando muita dor. Eu chegava a fechar o olho quando ela fazia “a  pega”. Eu pensava: lá vem o bezerro… Muitas amigas não passaram por isso. Outras sim. Se esse for o seu caso, fique tranquila, porque essa dor inicial costuma sumir em poucos dias. Parece que o seio se acostuma. Então minha dica é: NÃO DESISTA!

A dor foi apenas a primeira dificuldade que enfrentei. Apesar de ter passado as duas primeiras noites de vida penduradas no peito, minha primeira filha se esgoelava sem parar na maternidade. No dia da alta hospitalar, pedi pelamordedeus para que o pediatra visse o que estava acontecendo. Ele tirou a fralda e viu que a cor do xixi dela estava esverdeada. Era sinal de desidratação e o meu leite ainda não havia descido. Então ela estava se esgoelando de fome e sede, tadinha. O médico providenciou um complemento de leite em pó. Ainda bem, porque o meu leite só desceu quase quatro dias depois, então como eu levaria para casa um bebê faminto e sedento???

Então esteja ciente de que o leite pode demorar a descer e NÃO DESISTA! Antes do leite, vem o colostro: um líquido viscoso, riquíssimo em anticorpos, que alimenta. Mas no meu caso demorou a sair também, então o complemento foi dado como último caso. O pediatra desaconselhou o uso da chuquinha para o bebê não acostumar com a sucção fácil e utilizamos um copinho. Mesmo assim, eu mantinha minha filha no peito direto, pois quanto mais os bebês sugam, maior é o estímulo para a produção. Quando meu leite desceu, cheguei a ter febre. Os seios ficaram pesados e parecia que havia empedrado. Fizemos uma compressa (não me lembro se quente ou fria) e a situação foi normalizando.

Dentro de uma semana, estava tudo lindo e maravilhoso. Eu já não tinha mais dor e produzia em larga escala. Virei doadora oficial de leite materno e os agentes do Corpo de Bombeiros vinham toda semana buscar os vidrinhos que iriam alimentar crianças prematuras nas UTIs Neonatais da cidade. Esse leite doado é pasteurizado e servido via sonda. Ironia do destino… Mais tarde, quem teria três crianças prematuras na UTI seria eu. A lei do retorno é surpreendente. As boas ações voltam para nós. Meus trigêmeos já nasceram tomando leite de outra mãe generosa.

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Author: Paola Lobo

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4 Comments

  1. Concordo com você! Também sou mãe de Trigêmeas e minha experiência com a amamentação não foi nada glamorosa….rsrs.
    Mas acho lindo e a melhor coisa para o bebê.

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  2. Acostumbro cada noche buscar posts para pasar un buen rato leyendo y de esta forma he encontrado vuestra web. La verdad me ha gustado la web y pienso volver para seguir pasando buenos ratos.
    Saludos

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    • Gracias! Saludos!

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