Já se passaram 4 anos!

*Texto publicado originariamente na nossa coluna da Revista Crescer

Há quatro anos eles chegaram para mostrar que a maternidade pode ser ainda mais extraordinária. Parece que foi ontem o dia em que entrei naquela sala de parto lotada de profissionais.  Eu já era mãe (de uma mocinha linda), mas estava com medo do novo, afinal não é todo dia que nascem três bebês da sua barriga.

Enfrentamos a primeira UTI neonatal de nossas vidas, o primeiro contato com a prematuridade, os dias de espera até podermos pegar nossos filhotes no colo pela primeira vez. Depois, a alegria da alta e o frio na barriga de encarar essa aventura por conta própria.

Fomos para casa: eu com um no colo, o papai com outro e a irmãzinha de 9 anos com o terceiro. Lembro da demora para prender todos no bebê conforto do carro. Depois, mais um tempão para retirá-los. Ficamos rindo da cena!

Lembro que chegamos ao prédio e percebemos que não cabíamos no elevador. Mas queríamos entrar juntos em casa, então nos esprememos como loucos, prendendo a respiração e encolhendo a barriga, só para subir todo mundo junto! E quando a porta de casa se abriu, mostrei para o trio o novo lar, sem enfermeiras, nem equipe médica… Só nós… Nós seis… Que medo que senti!

Levamos a turma direto para o quartinho e os colocamos todos no mesmo berço para tirar foto. Ali, olhei maravilhada e assustada para a cena inacreditável: genteeee, são três bebês! Como assim? Eu e o papai não sabíamos como seria esse negócio de cuidar de três ao mesmo tempo. E ainda tínhamos o compromisso de manter ao máximo atenção dispensada à filhota mais velha! Foi um alvoroço, uma loucura.

Lembro que a Gabi tinha que mamar a cada duas horas, enquanto Guilherme e Vitor, a cada três. Eram 28 mamadeiras por dia. Eu ia pra cozinha pegar a mamadeira e, quando voltava, já não lembrava mais pra quem era. Fizemos uma planilha e passamos a anotar tudo.

De madrugada, éramos só eu e o papai para dar conta dos três. Era uma loucura…  Nos tornamos zumbis por causa da privação de sono. Colocávamos pra arrotar dois no mesmo colo, pulávamos de berço em berço fazendo “Shhhhhh” quando os bebês resmungavam, dávamos trombadas um no outro pelos corredores, cambaleando de sono.

Quando a fralda vazava de noite, a gente pegava no escuro a primeira roupa que via pela frente e no dia seguinte ria com o resultado: menino com roupa de menina e menina com roupa de menino! Levantávamos cambaleando no modo automático e não sabíamos nem quem estávamos ninando.

Uma vez, devolvi o bebê para o berço errado e coloquei um por cima do outro. Me lembro também do dia em que a filhota mais velha acordou com medo e foi ao quarto do trio. Ela apareceu silenciosamente de camisola, descabelada e carregando uma boneca. Parecia um fantasma! Quase morri quando a vi parada na porta! Dei um berro de susto e os bebês acordaram chorando! Depois, levamos mais de uma hora ninando todo mundo novamente… Aí, quem chorou fui eu… Ô luta…

Fizemos muitas, muitas trapalhadas…  Mas pouco a pouco fomos pegando o esquema, mudando táticas e adotando estratégias mirabolantes! Situações inusitadas, do tipo: “Gente! Isso tá acontecendo mesmo?”.

E se passaram quatro anos e agora a gente não consegue acreditar que viveu toda essa maravilhosa loucura! Hoje, a vida já parece até normal. O trabalho triplicado não é mais novidade: xixi-xixi-xixi, cocô-cocô-cocô, banho-banho-banho, papá-papá-papá…  Já não choro mais de cansaço, olha que bom!

 

Agora, por incrível que pareça, o maior desafio é me adaptar à independência da minha filhota mais velha, meu primeiro grande amor, que já está na adolescência! E fico rindo, imaginando como será quando tivermos três adolescentes ao mesmo tempo dentro de casa! Vou pirar ainda mais, né?  Mas esse é um outro capítulo dessa história, chamada “maternidade”. Por enquanto, fico aqui agradecendo todos os dias por viver essa aventura maravilhosamente extraordinária e lutando diariamente pela educação deles, paras que sejam pessoas do bem! E que venham os próximos quatro anos, acompanhados de muito amor e risadas!

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Author: Paola Lobo

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