Você deixa seu filho ir à excursão da escola?

Quando começou a fase das excursões da escola, eu ficava indo ao Google para saber a partir de qual idade deveria deixar minha filha ir aos passeios. Não encontrei resposta. Ou melhor, encontrei zilhões, mas nenhuma me satisfazia. Sabe por que? Porque só nós mesmas vamos sentir o momento certo.

Nos primeiros passeios, simplesmente não deixei. Meu coração dizia que não, que ainda era cedo. No segundo, meu coração também dizia que não, mas tive a sorte de ser uma das mães sorteadas para acompanhar a excursão (juro que não comprei ninguém… he..he…).  No terceiro, resolvi deixar. Meu coração ainda dizia que não (acho que ele vai dizer isso sempre), mas a razão começou a interferir. Conversei com outras mães, troquei experiências, falei com o papai (que sempre é mais tranquilo do que a mamãe) e criei coragem de deixar a mocinha de sete anos passear sem mim.

No dia “D”, quando cheguei à porta da escola, fui zoada por colegas veteranas com um bem-humorado “Até que enfimmmm”. Entrei na brincadeira e disse que precisei de dois anos de terapia para estar ali.  Mas, quando chegou a hora da despedida, parecia que haviam cravado uma faca no meu peito. Aquela galerinha entrando no ônibus e colando a cara no vidro para dar tchauzinho para as mamães (algumas, como eu, propositalmente de óculos escuros). Era um misto de alegria (por ver o filho tão feliz) e desespero (por vê-lo partir). Um ônibus lotado de corações, carregando a nossa vida ali dentro. Todo o amor do mundo pegando a estrada sem nós.

Fala a verdade que não dá vontade de ir escondido atrás, tipo alugar um carro neutro para seguir o ônibus sem ser percebido? Colocar um chapéu, um bigode falso e se infiltrar no passeio como se fosse um turista qualquer. E, ao ser reconhecido, mandar um “Você também por aqui????”, na maior cara-de-pau. Mas não podemos ser ridículas ao ponto de fazer o filho pagar um king kong diante da turma inteira, ainda mais nessa fase do “tudo é mico”. Mas que dá vontade, dá.

Agora, já estou ficando melhorzinha, porque já passei pela terceira excursão, sem precisar tomar Rivotril. Acordo às quatro da madrugada, coloco uma roupa por cima do pijama e vou quentinha para a porta da escola com a maturidade de uma mãe veterana. É claro que passo o mesmo sermão (faremos isso até ficarmos velhinhas) e faço as mesmas orações, mas sem ficar me martirizando o tempo inteiro. Me distraio no trabalho e, quando chega a hora de buscá-la, sento comportadíssima na mureta da escola com a cara de que tudo aquilo é natural.

Quando o ônibus chega, minha vida se ilumina e sinto a maior alegria do mundo. Sou recebida com um beijo exausto e, quando pergunto se foi legal, recebo um “Aham” pré-adolescente da filhota esgotada, que nem tem forças para falar. Penso comigo: “Tá vendo? Nem foi tão ruim assim”. Vou embora para casa de cabeça erguida por meu comportamento exemplar de mãe descolada. Mas, por dentro, estou dando graças a Deus que outra dessas, só no ano que vem.

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Author: Paola Lobo

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2 Comments

    • Ahahahahahahaha! Por mim só iria com 30 e não se fala mais nisso! Mas temos que ser mães legais e descoladas… Vai vendo…rs

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