O excesso de informação na gravidez




Uma coisa importantíssima que aprendi é que o excesso de informação pode ser prejudicial à gestação. Meu obstetra costumava dizer: quer ser uma grávida feliz? Então não pesquise na internet. Se ficarmos cismadas e pesquisarmos minuciosamente sobre tudo o que pode acontecer, a gente infarta. Lembra daquela música dos Titãs? “Reumatismo, raquitismo, cistite, disritmia, hérnia, pediculose, tétano, hipocrisia…E o pulso ainda pulsa…”. Quantas mazelas podem nos atingir? Estamos vulneráveis a tudo, em qualquer momento de nossas vidas, não só na gravidez.

Tem gente que salta de pára-quedas e morre engasgado com uma ervilha. Tem gente que passa dessa para a melhor porque tropeçou e bateu a cabeça na calçada. Não me lembro quem é o autor da frase mais sensata que ouvi: “A vida é um monte de tijolos caindo do céu. Um dia, um deles te acerta”. Tudo bem que grávida nenhuma merece levar uma tijolada na cabeça, mas o que podemos fazer se tudo o que acontece por aí é inevitável? É o que meu sábio obstetra diz: “Deleta essa informação, menina. Nem pense nisso”.

Para mim, é engraçado dar conselhos, porque está para nascer alguém mais cismado do que eu. Mas tive que aprender a ligar, digamos, o “dane-se”, para não dizer outra coisa. Na minha primeira gestação, minha filha ficou sentada no útero, com o cordão umbilical todo enrolado no pescoço. Deleta isso, menina. Já a minha gravidez dos trigêmeos era considerada de altíssimo risco. Deleta isso, menina. Numa gestação múltipla, os riscos de diabetes e hipertensão são maiores. Deleta isso, menina. Passei a gravidez inteira deletando o que não prestava. Não tive diabetes, nem hipertensão. Também não engasguei com ervilhas e nenhum tijolo caiu sobre minha cabeça.

Outra coisa que passei a evitar na gravidez – e hoje consegui eliminar da minha vida – foi o noticiário de catástrofes. Antes, eu lia os jornais de cabo a rabo. Coisa de jornalista. Quando passava por notícias escabrosas, simplesmente ficava arrasada. Sempre que uma mãe lê sobre o filho dos outros, ela se coloca no lugar da mãe sofredora. A transferência é inevitável. No meu caso, ler uma notícia ruim envolvendo crianças acabava com meu dia.

Hoje, simplesmente não leio. Prefiro ver desenho animado. Mais fácil eu saber o que aconteceu no último episódio do Bob Esponja do que estar informada sobre o índice da inflação. Não estou dizendo para as grávidas serem alienadas, esquecerem o mundo lá fora. Estou sugerindo que elas aprendam a filtrar o noticiário, deixando de clicar naquilo que certamente a impressionará.

Assista a filmes leves, leia bons livros, folheie revistas de fofocas (são ótimas para desestressar). Agora, estão na moda os tais livros de colorir. Eu, na qualidade de mãe pirada, prefiro um de recortar. Tem mais a ver com meu perfil. Mas vale qualquer coisa. Dê-se ao luxo de não pensar em nada, de olhar para o céu, de respirar calmamente, de falar amenidades. Mesmo porque você ficará uns bons anos sem fazer isso depois que o bebê nascer.




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Author: Paola Lobo

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7 Comments

  1. Lembro de qdo estava grávida e comprei “o que espera quando ser está esperando” pulava todas as partes que falavam coisas ruins …pensava assim : se eu precisar, o livro vai estar aqui e eu leio. Não vou me assustar a toa. 🙂

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  2. qdo estava gravida não prouraa nada no google… a gente encana e de nada adianta, pois não há nada a fazer senão esperar….

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  3. Olha aí Rosana Cordeiro, sempre tem aquele q fala d+++, e ficamos viajando na maionese, bjs

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  4. Hahahaha, verdade Luky Salvi!! Vamos filmar tudo que não é bom, informações, energias!! E sermos felizes, principalmente neste momento tão especial de nossas vidas❤️❤️❤️!

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