Minha experiência com a prematuridade

Desde que engravidei de trigêmeos, tinha ciência de que viveria a experiência da prematuridade. Segundo meu obstetra, gestações gemelares tradicionais costumam não passar de 36 semanas. Imagine, então, uma gravidez trigemelar? Meu médico sempre dizia: “Se atingirmos a 32ª semana, pode comemorar. E vamos conseguir!”.

Confesso que a previsão de um parto antecipado era um dos maiores motivos dos meus acessos de choro. Minha cabeça estava cheia de caraminholas… Temia que os bebês nascessem com algum problema, que não viessem ao mundo completamente formados, que tivessem que respirar com a ajuda de aparelhos, que coubessem na palma da minha mão, que ficassem com defasagem de desenvolvimento em relação às outras crianças…

É claro que eu amaria meus filhos de qualquer maneira, mas a gente fica pensando na estrutura que teríamos que montar caso algo de errado acontecesse, sendo que haveria três bebês para cuidar.

Como acontece com todo mundo que passa aperto, me apeguei cada vez mais à fé. Parei de ler notícias sobre a prematuridade que pudessem me assustar. Prestava atenção somente às histórias positivas. Eu conhecia outras duas mamães de trigêmeos – todos prematuros e perfeitos – e tentava me apegar a esses exemplos.

Mas, de vez em quando, tinha recaídas e passeava pelo Google. Sempre me deparava com imagens de bebês muito pequenos em encubadoras, cheios de fios. Ficava apavorada e chorava.

Na gravidez, cada dia a mais era uma vitória. Na 33ª semana, uma ultrassonografia revelou um verdadeiro balaio de gato dentro da minha barriga. Não cabia mais nem uma bolinha de gude lá dentro. Eu tinha a impressão de que iria explodir. O médico resolveu fazer o parto no dia seguinte.

Os bebês nasceram grandes e fortes, não com tamanho de ratinhos, nem com pele transparente (sim, a bobona aqui ficava com medo disso). Vieram ao mundo pesados para os padrões trigemelares: 2kg, 2,250Kg e 2,500Kg.

Nasceram todos com sobrancelhas e cílios. A única coisa inusitada foi a minha princesa, que não tinha os mamilos (ou deveriam ser tão pequenos que não dava pra perceber). Depois de uma semana, estava tudo lá, certinho!

Ficaram na UTI com oxigênio apenas no primeiro dia, mas não precisaram ser entubados. Até hoje, as imagens de bebês nas encubadoras me causam nervoso. Parece que estão mal de saúde, mas nem sempre é assim. Nessa foto, o bebê número 2 está forte e saudável, apenas recebendo cuidados especiais.

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Primeiro dia na UTI

Todos os três usaram sonda para alimentação apenas nos primeiros dias. É um caninho por onde passa o leite, porque eles ainda não sabiam sugar. Depois, é feito todo um trabalho de estímulo para que possam pegar peito e mamadeira.

Sonda por onde passava o leitinho

Sonda por onde passava o leitinho

Após uma semana de encubadora, foram para os bercinhos da UTI. Já era um sinal de que, em breve, iriam para casa!

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Segunda etapa, fora da incubadora, já nos bercinhos

Todos nasceram com peso de alta, mas tiveram que ficar no hospital para aprenderem a sugar e para completarem 35 semanas (33 dentro da barriga + 2 fora).

Minha relação com a UTI foi mais fácil do que a das outras mamães vizinhas de encubadora, porque eu já sabia desde o início que iria passar por isso. Já havia me preparado psicologicamente. Deu tudo absolutamente certo e nenhum dos meus temores se concretizou. Agradeço a Deus todos os dias por isso. Após treze dias, fomos para casa, começar a maior aventura de nossas vidas.

Leia também:

Saída da maternidade: o medo de levar os bebês pra casa

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Author: Paola Lobo

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20 Comments

    • É do provedor antigo!!! Tá aparecendo pra vc ainda? Não aguento mais esse jacaré! rs

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    • Renata A. Cordeiro Braz Affff!!! Obrigada por me avisar! Já estou em contato com eles! Ô novela! Grande beijo!!!

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  1. 2.500kg?! Que bênção! Minha gatinha que veio de 35 semanas nasceu com 2.700kg. Como ela nasceu com 47cm(!!!) era tooooda fininha (quebradiça praticamente). Tbm ficou no oxigênio a primeira noite e primeira manhã, mas tiraram tudo antes de eu chegar para vê-la (não imagino qual seria a minha reação). Deus abençoe! Nossos filhos são guerreiros, nós tbm somos guerreiras! #maedeuti

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  2. Minha filha nasceu de 32 semanas pois tive Síndrome HELP, uma condição gravíssima que acomete menos de 10% das grávidas e a única solução é tirar o bebê. Foram 38 dias de UTI neonatal (e muito embates entre eu e uma equipe médica despreparada para lidar com seres humanos) até que minha Lara pudesse vir pra casa na marra – quando atingiu 2.020kg exigi que o pediatra desse alta a ela. Hoje está prestes a fazer 10 anos, divide as roupas e sapatos comigo, tem 1,66m e é um touro, nunca fica doente. Mas foi uma luta, dia a dia, grama a grama. Muita ordenha manual de leite, um mínimo de 15h por dia fazendo canguru com ela presa em mim e muita cantoria no ouvidinho dela. Hoje somos mais que mãe e filha canguru, somos parceiras e muito ligadas. Não pude amamenta-la, mas não fez falta, somos carne e unha e ela vende saúde. Só quem vive enfiada numa UTI neonatal por tanto tempo sabe o que é essa tristeza de voltar pra casa sem o seu bebê, ver aquele quartinho vazio. Mas passa viu, aqueles dias parecem loooonge hoje, mas marca a gente pra sempre. Somos – eu, ela e meu marido – sobreviventes. Só com muito amor…

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  3. Nossa nasceram bem “grandes” por serem trigêmeos e a idade gestacional. Os meus gêmeos nasceram de 34 semanas Victor com 1880 kg e Rodrigo com 1700 kg e já não tinha mais espaço e entrei em trabalho de parto

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    • Conheço a sensação de não ter espaço…rs Grande beijo na sua duplinha!c <3

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    • Eu tbm tenho gemeos nasceram de 37 semanas Arthur com 2.505kg e o Gustavo com 1,605kg tive a sindrome da trasfusao feto fetal onde um poderia ter morrido ate 28 semanas mas graças ao meu bom Deus hoje estao com 9 meses

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  4. Mae pirada… minha BB nasceu de 36+6 os médicos a consideraram prematura tanto que me transferiram de uma maternidade para outra devido a falta de UTI Neonatal. Ela nasceu de madrugada, com 47, 5 cm e pesando 3185 kg. Nossa fiquei com tanto medo quando o médico disse q ia ter q fazer a cesárea. Eu estava com contrações fortíssimas já, não tinha paracetamol e buscopan, mas como eu já tinha duas cesareas o médico ficou com medo de o meu útero estourar (está foram as palavras dele) e acabou fazendo um cesárea de emergência. Ela não é pequena, pelo menos não achei, mas em vista dos meus outros dois filhos que nasceram com 50 e 51 ela é mto pequena.. me sinto mãe de primeira viagem com ela e Morro de medo de dar mamadeira. É tem mais isso, eu nao amamanto devido uma cirurgia a 13 anos atrás onde cortaram os meus dutos, não consegui amamentar nenhum dos três. Na maternidade insistiram tanto no meu peito que ela teve grave quedas de glicemia. Foi horrível piores três dias da minha vida. Como fiz pra ser mandada pra casa? Dava o pouco q restava de peito e 30 ml de nan escondido ai a glicemia subia e ela acabou tendo alto. Mas enfim, a prematuridade dela nem a fez ir a UTI.. Mas ainda sim pego bem nervosa com tudo q passei..
    Bjos
    Adoro seus posts..

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    • Amanda Cândido, obrigada pelo carinho! Que luta a sua… Você falou exatamente o que eu sentia: agia como uma mãe de primeira viagem!!! Que bom que tudo passou! Deus abençoe seus filhotes!!!

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  5. Minha princesa nasceu de 36+5 e eu tbm fiquei bastante preocupada. Mas graças a Deus não necessitou de uti. Pesou 2.100kg e 39cm. Hoje com 2 meses já com 4 kg e 53 cm. Minha Hanna.

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