Relato de parto, por Carol Granato

Por Carol Granato

Oi pessoal, olha eu aqui de novo! Já estive  na coluna falando da minha experiência com exercícios durante gravidez: eu era uma gravida que corria. Agora vou falar da minha experiência com os dois partos normais que tive.

Cada experiencia totalmente diferente da outa e, por isso mesmo, única. Sempre quis ter parto normal. Ao mudar para os Estados Unidos vi meu sonho se tornar possível, pois a estrutura aqui é toda voltada para incentivar este tipo de parto. Tive o cuidado de escolher uma obstetra experiente e fiz cursos no hospital para me preparar, com a consciência de que a prioridade era o bem estar do bebê. Caso o parto normal não fosse viável, a vida e a segurança do meu filho eram mais importante.

Com meu primeiro filho, Lucas, nascido em 5 de abril de 2013, estava de 38 semanas e 5 dias . Acordei as 7 da manha pra ir ao banheiro, quando vi uma mancha de sangue. Fiquei preocupada e liguei para a médica. Ela disse que era o meu tampão que tinha saído e que, a partir daquela hora, devia observar se a bolsa iria romper  e monitorar as contrações.

Estava empolgada e com medo ao mesmo tempo. A festa ia começar, eu ia ter um bebê, meu  primeiro filho. Estava com muito medo de sentir dor e ansiosa para que tudo desse certo e meu filho nascesse bem e saudável.

Logo que a bolsa começou a vazar, liguei de novo para a médica e ela pediu para que eu fosse para o hospital pra dar uma olhada. Cheguei lá com 3 cm. Como a bolsa estava rompida, ficamos.

As contrações ainda não estavam vindo, foi quando fui correr nos corredores do hospital pra dar uma ajudinha. E ajudou mesmo! As contrações começaram a vir e a bolsa que estava com uma rotura alta rompeu de vez! E aí as contrações vieram com vontade.

Doeu. Nossa eu imaginava: cara com essa dor já devo estar com dilatação total. Quando foram me checar estava só com 4 de dilatação! Quê?  impossível! Não estava aguentando mais de tanta dor e pedi a anestesia. E demorou um pouco: senti bastante dor ate que uma hora depois o anestesista chegou.

Ahnnnn que alivio. Eu não podia correr mais, porém não tinha mais dor. De tempo em tempo alguém vinha checar a mim e ao bebê. Tirei até um cochilo. O clima era de festa, estavam comigo minha mãe, meu marido e minha amiga, presentes o tempo todo até durante o parto.

Chegou a hora, meu marido segurou uma perna, minha amiga a outra, a médica com as enfermeiras orientando e minha mãe na cara do gol quase tendo um treco!  A equipe de médicos e enfermeiras olhava no monitor quando vinha uma contração e me orientavam a fazer forca.

A anestesia retardou um pouco o trabalho de parto. Tomei anestesia às 4:30 da tarde, estava com 8,5 de dilatação, Só começamos a fazer forca por volta das 11;30 da noite. Meu filho nasceu 1 da manha. E assim veio o meu primeiro filho, num lindo parto normal, sem dor e rodeada de pessoas que amo.

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Agora vamos falar da segunda, a Clara! Ela  nasceu dia 10 de Outubro, com 40 semanas e 3dias. Eu já estava preocupada pois achava que teria que ser induzida, enquanto a minha médica ia monitorando a gente e me tranquilizando: “vocês estão bem, não tem nenhum indicio de sofrimento fetal, vamos monitorar e esperar o tempo dela”.

Isso foi uma quarta feira. Eu já estava com 5 cm de dilatação, mas sem contrações ou bolsa rompida. Ela disse “vai pra casa, vocês estão bem, descanse que está chegando a hora”. E a hora chegou!

Sábado de tarde, estava me preparando pra uma corridinha. Antes de sair de casa começou a molhação. Isso eram 3 da tarde. Liguei pra médica. E ela perguntou se estava tendo contrações. Disse que não. Perguntou da cor do líquido. Disse que era clara então ela falou para esperar as contrações começarem em casa porque ainda poderia demorar horas e ela não queria me deixar no hospital porque isso iria aumentar minha ansiedade.

E assim foi. Tomei um bom e longo banho, sabendo que seria o ultimo em meses, fiz escova, sobrancelha, sabendo também que tão cedo não teria esse luxo. Curti meu primogênito, sabendo que seriam as últimas horas de exclusividade. Conversei com ele, tentando explicar o que estava por vir.

Fui falar com meu pai no Skype por volta das 6, foi quando senti a primeira contração, bem leve. Treze minutos depois, senti outra. Daí desliguei e fui fazer um lanche leve. A festa estava começando de novo. Quando acabei o lanche, por volta das 6:40, as contrações já estavam vindo de 4 em 4 minutos.

Mas, diferentemente do outro trabalho de parto, elas não doíam. Ainda assim resolvi ligar pra médica depois de o marido insistir. Não achei que estava na hora ainda pois as contrações não estavam doendo.

Quando falei com ela , ela perguntou logo de cara: “quanto tempo da sua casa pro hospital?” Eu disse que eram uns 15 minutos. Ela pediu que eu fosse pra lá na mesma hora. Fui tranquila. Uma contração incomodou mais quando meu marido me fez rir no carro.

Lógico que ele resolveu ser mais gentil que o normal no trânsito, dando a vez para todo mundo, enquanto eu tinha contrações… Mas, enfim, eu estava tranquila, afinal, com o primeiro, cheguei no hospital as 11:30 da manhã e ele só foi nascer 1 da manhã.Eu tinha tempo, era o que eu pensava…

Chegamos na garagem do hospital 7:45. Meu marido perguntou se eu queria ir de elevador e eu dizia “não, dá pra ir de escada”. As contrações nesta hora estavam mais ritmadas e andar aliviava.

Cheguei na recepção do hospital pedindo pra chamar o anestesista. Não estava doendo ainda, mas eu não queria sentir a dor que senti no outro parto. O hospital é enorme. Finalmente chegamos na ala da maternidade.

Enquanto dava meus dados senti uma vontade imensa de fazer xixi. E eu falava: Chama o anestesista! Chamaram uma enfermeira pra me acompanhar. E pediam pra ter cuidado e não fazer muita força e eu pensava, imagina! A enfermeira chegou e eu continuava, chama o anestesista!

Não doía muito mas, já estava incomodando. Ela, muito paciente, disse que ia chamar mas que primeiro precisava checar minha dilatação e monitorar o bebê. Então fomos.

Rapaz, quando deitei a contração veio com força. Eram 8 da noite. Ela monitorou a bebê, tudo bem. Agora você… Foi quando ela falou : Querida sem anestesia, bebê já está no canal vaginal, não da tempo é hora de fazer força. Queeeee? Mas a anestesia….

Nesse parto minha mãe não estaria presente fisicamente. Ela faleceu no meio da minha gestação, lutando bravamente contra os efeitos colaterais da quimioterapia. Estavam fisicamente comigo durante o parto meu marido e minha amiga, que presenciou o primeiro parto. Tenho certeza que minha mãe estava la também.

Eu arregalei os olhos, entre uma contração e outra e dizia: não mas eu quero anestesia! Eu não estava acreditando naquilo! Eu ia parir na marra! Não tinha muito tempo para pensar e já que aquela era a única opção….

Foi uma correria. Eu continuava não acreditando que aquilo estava acontecendo. E estava acontecendo, rápido, muito rápido. Foi quando eu lembrei da minha mãe. Ela teve dois filhos de parto normal sem anestesia. Ela lutou bravamente até o fim. Se ela conseguiu eu também conseguiria, devia isso a ela. Minha filha ia ter o nome dela, minha guerreira. Aí a coragem veio e encarei.

Descobri que, quando a contração vinha, fazer força aliviava a dor. Rá. Então fomos: começamos depois das 8, não tinha controle do tempo. Às 8:34 estava com minha filha nos braços. Foi tudo tão rápido. Inacreditável. Incrível!

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E repito pra todo mundo: doeu, mas doeu muito menos do que estava esperando. Escrevendo aqui eu ainda continuo não acreditando no que aconteceu, como tudo aconteceu. Mas muito feliz por tudo ter corrido bem

Mãe, essa foi mais uma homenagem pra senhora. Sei que estava ali ao meu lado me dando força e coragem. Te amo muito mãe, pra sempre!

Obrigada, mamãe, por compartilhar esse momento! Você tem uma história bacana pra contar? Basta escrever para contato@maepirada.com.br e enviar uma foto sua com o(s) filhote(s)!  Vamos ficar muito felizes!

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Author: Paola Lobo

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