Saída da maternidade: o medo de levar os bebês para casa

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Morri de medo quando me deram alta do hospital após o parto da minha primeira filha. Quando o médico passou as recomendações e foi embora, olhei para a porta do quarto se fechando e fiquei com vontade de sair correndo, me agarrar nas pernas dele, implorando para que fosse morar conosco. Deu vontade de chorar. Aí, veio a enfermeira nos expulsar: “Vamos embora?”. Minha vontade era falar: “Vamos sim e você vem junto, né?”. Tem gente que até contrata enfermeiras, mas o caso não se aplica ao meu bolso.

A sensação de tirar o bebê de um ambiente controlado de hospital é apavorante no caso de mães de primeira viagem. Cadê o manual de instruções? Cadê o suporte? Cadê todo mundo? Como assim um bebezinho que acabou de nascer vai ser levado para casa por pais tão inexperientes como nós?

Fomos embora com a alegria de voltar para o lar, mas com a sensação de abandono pelos profissionais da saúde que nos largaram na sarjeta e não foram morar conosco.   Ao chegar em casa com o recém-nascido, você fica meio sem saber o que fazer. Não sabe se ele está com frio ou calor. Fica sem ação tentando interpretar cada resmungada. Troca a fralda trezentas vezes achando que tá com muito xixi. Dá o peito toda hora, porque ele pode estar com sede. É literalmente um estranho no ninho.

Isso geralmente acontece com as mães de primeira viagem. Trazer um segundo filho para casa é bem diferente, porque já temos experiência. Mas acabei revivendo o pânico, porque traria o segundo, o terceiro e o quarto filho.

Na gravidez dos trigêmeos, eu já sabia que voltaria para casa sem os bebês, pois seriam prematuros. O trio nasceu bem, mas passou 13 dias na UTI. Lá pelo décimo dia de internação, comecei a reviver o pânico de levar bebê para casa, só que em dose tripla.

Resolvi sondar o médico.

– Doutor, há alguma previsão de alta para os trigêmeos?

– Ô Mãe, eu sei que as mãezinhas de UTI ficam doidas para levar o filho para cas…

Eu nem deixei que ele completasse a frase!

-Não, não, não, doutor!!! Por mim, pode ficar mais um pouco… Não faz mal… – interrompi, com um sorriso amarelo.

Ele arregalou os olhos, pensando “Que tipo de mãe é essa???”. Mas não tenho vergonha de dizer: como eles estavam com a saúde ótima, a UTI não era nenhum sofrimento para mim. Eu estava aproveitando para me recuperar da cesariana e para dormir as últimas noites inteiras da minha vida. Além disso, estava redobrando a atenção à minha filha mais velha. Eu passava o dia inteiro na UTI e, de noite, dormia agarradinha à primogênita.  Além disso, o hospital me dava segurança, porque os prematuros são mais frágeis.

Quando chegou o grande dia da alta, tive a mesma vontade de me agarrar às pernas do pediatra e implorar para que ele fosse morar conosco. Mas, mantive a classe, afinal, espera-se que uma mãe de quatro filhos seja segura e equilibrada (não sou). Eu, meu marido e nossa filha mais velha pegamos os bebês. Tiramos a foto e nos despedimos dos amigos que havíamos feito.

Pegamos o carro e colocamos todos nas cadeirinhas – era apenas o começo da trabalheira. Parecia uma lotação. Fiquei pensando: muito doido ver a família dobrar de tamanho numa tacada só. Seguimos para casa, com a missão de acolher com muito amor três novos ilustres moradores. Agora, a brincadeira iria começar…




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Author: Paola Lobo

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8 Comments

  1. Sem querer vc me ajudou a me libertar um pouco de um trauma. Minha filha ficou tb exatos 13 dias na UTI quando nasceu. Eu chorava todos dias p/ levá-la p/ casa. Nunca havia pensado sob este prisma. Ela ficou só p/ pegar peso, tão frágil. Será que eu, mãe de primeira viagem, conseguiria cuidar dela como se deve, naquele momento?

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  2. Muito legal, somente vivenciando a vida na prática para saber como será. No meu caso vou ter gêmeos, um casal, e meu primogênito fará 11 anos uns dias antes do nascimento deles. E, todos me perguntam, como vai ser? E, eu respondo: somente o tempo dirá, e, no dia vou dar jeito. Seja o que Deus quiser

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  3. Muito obrigada, Valéria Moreira de Oliveira e Grasiele De Andrade! Carla Rodrigues de Araujo, com certeza aconteceu o melhor para a sua filhota! Kelly Steiner, vai dar tudo certo. A gente pira, mas as coisas se ajeitam! Obrigada, meninas!

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