Tristeza, cansaço ou depressão pós-parto?

Por Paula Freitas

Psicóloga, doula, educadora perinatal e criadora do projeto TOQUE DE MÃE.

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Tristeza, cansaço ou depressão pós-parto?

Entenda o que se passa no pós parto e quando é necessário buscar ajuda.

Quase todos os dias acolho uma mãe com bebê recém-nascido. Ela precisa falar, desabafar, chorar, colocar pra fora os sentimentos ambivalentes do pós-parto, que podem durar muito mais do que os quarenta dias recomendados para o resguardo.
As pessoas ao redor esperam – e às vezes cobram – que ela se sinta feliz diante da chegada do filho, mas aquela angústia cisma em não dar lugar pra essa tal felicidade e a mulher se sente pior ainda, porque parece estar sofrendo sem motivo.

Vamos falar então da realidade?

Os primeiros dias com um bebê em casa costumam ser extremamente difíceis. Por mais que você tenha planejado a gravidez, por mais que tenha apoio. É um período de adaptação do bebê e da família, que aos poucos vai encontrar a sua maneira de cuidar, de acalentar, de acalmar, de nutrir, de acolher concretamente e afetivamente esse novo ser.

Nessa fase, é absolutamente normal e compreensível que a mãe se sinta ansiosa ou com medo ao olhar para sua cria, ou triste e melancólica em muitos momentos. Os hormônios são os principais responsáveis por esse período, que chamamos Baby Blues. Ele é passageiro e não necessita de tratamento especializado. Ainda assim, é muito importante que a mulher busque espaços de acolhimento, apoio, troca e informação de qualidade, como os grupos de mães.

A depressão pós-parto se configura por um quadro mais severo e com maior duração dos sintomas. Conforme o tempo avança e o sofrimento se intensifica, é necessário buscar atendimento especializado (médico e psicológico). A mulher pode apresentar sinais e sintomas como falta de interesse no bebê; sentimentos negativos para com ele; falta de interesse em si própria; perda de prazer; falta de energia e motivação; sentimentos de inutilidade e culpa; alterações no apetite ou no peso e pensamentos recorrentes de morte ou suicídio. É importante lembrar que o diagnóstico deve ser feito por profissionais especializados e que um período de crise, por si só, não caracteriza a depressão.

De qualquer forma, vale estar atenta aos seus sentimentos e apesar do cansaço e da correria, lembrar de olhar pra dentro de si de vez em quando e de perceber as suas necessidades, sejam elas físicas ou emocionais.
A partir daí, peça colo, busque ajuda, crie redes, dê um grito de socorro!
Isso não é sinal de fraqueza, pelo contrário, precisa ter força e coragem pra cuidar de si. E não dá pra cuidar do outro se você não exercitar o autocuidado.

Acredito muito nos espaços de acolhimento de quem cuida. Vivencio diariamente os efeitos disso. É maravilhoso presenciar o efeito terapêutico das redes que se formam, sejam virtuais ou presenciais. Estar em grupo é um santo remédio, porque as pessoas se identificam, percebem que não estão sós em suas dificuldades, descobrem estratégias de enfrentamento dos problemas e, o mais importante, criam vínculos saudáveis, que farão uma enorme diferença na jornada da maternidade.

círculo de mães

Nas palavras de Laura Gutman;
“… uma só mãe não consegue criar uma criança. Mas cinco mães juntas podem criar cem crianças. O segredo está no conjunto, na solidariedade, na companhia e no apoio mútuo. Nenhuma mulher deveria passar os dias sozinha, com uma criança nos braços. A maternidade é fácil quando estamos acompanhadas. Não julgadas, nem criticadas, nem aconselhadas. Simplesmente junto de outras pessoas, e na medida do possível, junto de outras mulheres que estejam experimentando o mesmo”

Talvez seja esse o motivo de você estar aqui no blog.

E é um grande prazer levar essas palavras ao seu coração.

Até a nossa próxima conversa!

toque de mae

Paula Freitas é psicóloga, doula e educadora perinatal. Mergulhou no universo materno infantil desde o início da carreira profissional e nunca mais saiu dele.

Tem como grande mestre o filho de 3 anos e meio, com quem aprende todos os dias a ser uma pessoa melhor.

Coordena o Projeto Toque de Mãe, que promove Rodas de Conversa para mães, pais, familiares e interessados nos assuntos ligados à gestação, parto, amamentação, educação e por aí vai… 

Quer saber mais? 

www.facebook.com/otoquedemae

E-mail: toquedemae@gmail.com

 

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Author: Paola Lobo

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